Marco Coimbra (Carta Capital)
Mídia e política
13.06.2012 15:27
Três equívocos
A
cobertura de nossa “grande -imprensa” da atualidade política gira em
torno de três equívocos. Por isso, mais confunde que esclarece. Os três
decorrem da implicância com que olha o governo Dilma Rousseff, o PT e
seus dirigentes. A mesma que tinha em relação a Lula quando era
presidente.
Há,
nessa mídia, quem ache bonito – e até heroico – ser contra o governo. E
quem o hostilize apenas por simpatizar com outros partidos. Imagina-se
em uma espécie de cruzada para combater o “lulopetismo”, o inimigo que
inventaram. Alguns até sinceramente acreditam que têm a missão de
erradicá-lo.
Não
é estranho que exista em jornais, revistas, emissoras de televisão e
rádio, e nos portais de internet, quem pense assim, pois o mundo está
cheio deles. E seria improvável que os empresários que os controlam
fossem procurar funcionários entre quem discorda de suas ideias.
Até aí, nada demais. Jornalismo ideológico continua a ser jornalismo. Desde que bem-feito e enquanto preserve a capacidade de compreender o que acontece e -informar
Até aí, nada demais. Jornalismo ideológico continua a ser jornalismo. Desde que bem-feito e enquanto preserve a capacidade de compreender o que acontece e -informar
o público. O problema da “grande imprensa” é que suas antipatias costumam levá-la a equívocos. Como os três de agora. Vejamos:
O desespero de Lula
Pode haver suposição mais sem sentido do que a de que Lula esteja “desesperado” com o julgamento do mensalão?
Pode haver suposição mais sem sentido do que a de que Lula esteja “desesperado” com o julgamento do mensalão?
Ele venceu as três últimas eleições presidenciais, tendo tido na última
uma vitória extraordinária. Só ele se proporia um desafio do tamanho de
eleger Dilma Rousseff.
Hoje, em qualquer pesquisa sobre a eleição de 2014, atinge mais de 70% das intenções de voto, independentemente dos adversários.
Hoje, em qualquer pesquisa sobre a eleição de 2014, atinge mais de 70% das intenções de voto, independentemente dos adversários.
Seu
governo é considerado o melhor que o Brasil já teve por quase três
quartos do eleitorado, em todos os quesitos: economia, atuação social,
política externa, ecologia etc. (sem excluir o combate à corrupção).
O
mensalão já aconteceu e foi antes que galvanizasse a imagem que possui.
Lula tem, portanto, esse conceito depois de passar pelo escândalo. O
ex-presidente não tem nenhuma razão para se importar pessoalmente com o
julgamento do mensalão. Muito menos para estar “desesperado”.
O
que ele parece estar é preocupado com alguns companheiros, pois sabe
que existe o risco de que sejam punidos, especialmente se o Supremo
Tribunal Federal for pressionado a condená-los. Solidarizar-se com eles –
e fazer o possível para evitar injustiças – não revela qualquer
“desespero”.
A batalha paulista
Não haverá um “enfrentamento decisivo” na eleição para prefeito de São Paulo. Nada vai mudar, a não ser a gestão local, se José Serra, ou Fernando Haddad, ou Gabriel Chalita sair vitorioso.
Não haverá um “enfrentamento decisivo” na eleição para prefeito de São Paulo. Nada vai mudar, a não ser a gestão local, se José Serra, ou Fernando Haddad, ou Gabriel Chalita sair vitorioso.
Como a “grande imprensa” está convencida de que Serra vai ganhar – o que
pode ser tudo, menos certo –, a eleição está sendo transformada em um
“teste” para Lula, o PT e o governo Dilma. Ou seja, quem “nacionaliza” a
disputa é a mídia. Apenas porque acha que Haddad vai perder. Se Serra
vencer, o PSDB não aumenta as chances de derrotar Dilma (ou Lula) em
2014. Caso contrário, terá sua merecida aposentadoria.
O
melhor que os tucanos podem tirar da eleição paulista é a confirmação
da candidatura de Aécio Neves. Quanto ao PT e ao PMDB, vencendo ou
perdendo, saem renovados. No médio e no longo prazo, ganham. Por
enquanto, a mídia está feliz. Cada pesquisa em que Haddad se sai mal é
motivo de júbilo, às vezes escancarado. Quando subir, veremos o que vai
dizer.
É a economia, estúpido!
Sempre que pode, essa mídia repete reverentemente a trivialidade que consagrou James Carville, o marqueteiro que cuidou da campanha à reeleição de Bill Clinton.
Sempre que pode, essa mídia repete reverentemente a trivialidade que consagrou James Carville, o marqueteiro que cuidou da campanha à reeleição de Bill Clinton.
Lá, naquele momento, foi uma frase boa. Aqui, não passa de um mantra
usado para desmerecer o apoio popular que Lula teve e Dilma tem. Com
ela, pretende-se dizer que “a economia é tudo”. Que, em outras palavras,
a população, especialmente os pobres, pensa com o bolso. Que gosta de
Lula e Dilma por estar de barriga cheia.
Com
base nesse equívoco, torce para que a “crise internacional” ponha tudo a
perder. Mas se engana. É só porque não compreende o País que acha que a
economia é a origem, única ou mais importante, da popularidade dos
governos petistas.
Nos
últimos meses, a avaliação de Dilma tem subido, apesar de aumentarem as
preocupações com a inflação, o emprego e o consumo. E nada indica que
cairá se atravessarmos dificuldades no futuro próximo.
Lula
não está desesperado com o julgamento do mensalão. Se Serra for
prefeito de São Paulo, nada vai mudar na eleição de 2014. As pessoas
gostam de Dilma por muitas e variadas razões, o que permite imaginar que
continuarão a admirá-la mesmo se tiverem de adiar a compra de uma
televisão. Pode ser chato para quem não simpatiza com o PT, mas é assim
que as coisas são.

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