quinta-feira, 8 de novembro de 2012

O consumismo nas escolas

por Prof. Luiz Guilherme Brom 
Quarta, 7 de novembro de 2012 ·

Crianças e jovens são massacrados diariamente por uma avalanche de publicidade de bens de consumo, através de mensagens sofisticadas que visam germinar o hábito do consumo nesse público. Ainda imaturos, desprovidos de senso crítico, crianças e jovens são presas fáceis da comunicação publicitária, que logo os transformam em dóceis e inconscientes clientes. O assunto é considerado gravíssimo: a Suécia, por exemplo, eliminou a publicidade destinada a menores de 12 anos da televisão, enquanto outros países europeus tornam mais severas as restrições para esse tipo de publicidade.
As consequências do consumo infantil descontrolado são inúmeras e todas com graves danos. Não apenas psicológicos, como frustrações e ansiedades, mas também físicos, como é o caso da obesidade infantil relacionada a consumo desregrado de alimentos difundidos pela mídia.
A escola, como espaço frequentado majoritariamente por esse públiico, infelizmente não fica imune à contaminação publicitária. Um desafio relevante se apresenta então no âmbito escolar:
  • como tratar a questão de modo sistematizado, inclusive como tópico transversal do currículo em todos os níveis da educação básica?
  • como desenvolver na criança e no jovem um distanciamento crítico em relação ao consumo?
  • como fazer ver ao jovem a diferença entre necessidades reais (casa, comida, transporte, saúde, etc...) e falsas necessidades impostas pelo consumismo (marcas, grifes, etc...)?
Jean-Jacques Rousseau, no seu conceito de "educação negativa" apresentado em sua obra "Emílio", sugeria que a educação deveria evitar que o aluno entrasse em contato com influências perniciosas da sociedade. Se no atual mundo midiático isso é praticamente impossível, por outro lado, a escola pode sim fazer um esforço no sentido de espaço livre de publicidade, de espaço reservado à reflexão crítica do que ocorre para além de seus muros. A formação da consciência do jovem em relação ao consumo deve ser deliberada e diligentemente executada.
Em suas Lições de Pedagogia (Über Pädagogik), o alemão Immanuel Kant defende que a Razão é uma disposição natural da criança, que deve ser desenvolvida justamente pela educação. Essa qualidade latente da infãncia deve então ser explorada para o desenvolvimento da compreensão do consumismo. Ora, ao jovem e à criança o educador deve então apresentar, gradativamente, argumentos racionais que demonstrem as incoerências e as contradicões do consumo inconsciente. Diante dos apelos do consumo, o jovem tenderá então a pensar pela própria cabeça, evitando o sofrimento e as frustrações do consumismo mórbido.  Prof. Luiz Guilherme Brom

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