segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Conviver com a seca, as soluções que vêm da região.

A seca no semi-árido é um evento natural, assim como a neve das regiões temperadas ou as chuvas torrenciais dos climas de moções da região do oceano Índico. Portanto, chega dos conceitos dominadores e feudais, que insistem em desenvolver a tese do "ACABAR COM A SECA", ou mesmo das famosas AÇÕES "CONTRA" A SECA. Os conceitos e práticas mais eficazes, em boa medida desenvolvidos por aqueles que têm aprendido com o fenômeno natural, partem do princípio da CONVIVÊNCIA COM A SECA.

Experiências várias, já demonstram que é possível a convivência com os ciclos naturais no semi-árido, porém, até os dias atuais, têm predominado a cultura do uso do carro pipa, com um cunho fortemente eleitoral, reforçando a figura do "protetor" local, a exemplo dos antigos coronéis. Quantos, nessas última eleições, não tiraram proveitos eleitorais da situação em que se encontram as pessoas atingidas pela seca?

Muitas práticas já desenvolvidas, como o CONCEITO BASE ZERO, experiências da DIACONIA, ONG CAATINGAS, ASA, SABIÁ e o CONCEITO MANDALA, demonstram uma grande capacidade de desenvolver formas de convivência com a seca garantindo condições de vida adequadas para os(as) sertanejos(as), lutadores(as) incansáveis, sem a necessidade de grandes investimentos ou apadrinhamentos indesejáveis.

A Transposição das águas do Rio São Francisco, não conseguirá chegar a população difusa do semi-árido dispersa na caatinga. A junção das diversas experiências já testadas em vários regiões do NE, à exemplo das citadas, podem libertar o(a) sertanejo(a) da situação de sofrimento a qual tem sido exposto e do domínio nefasto do uso politico que ela propicia..

É preciso tratar a questão com a devida atenção. Os Governos Federal e Estadual precisam desenvolver instrumentos capazes de financiar a implementação das soluções desenvolvidas, de eficácia comprovada. Os órgãos ligados às ações de ciência e tecnologia, devem se estruturar para catalizar essas soluções, contribuindo para aperfeiçoa-las. Políticas públicas mais próximas à realidade da região devem resultar no desenvolvimento de programas de custeio da implantação dessas soluções que trazem o saber desenvolvido no lugar pela percepção empírica da realidade. Sem elas, os caminhos escolhidos tendem a ser muito mais onerosos, tanto em termos de vidas humanas perdidas, quanto em termos dos custos financeiros e com capacidade de solução dos problemas duvidosa. Vários são os exemplos.

Em Afogados da Ingazeira, temos duas experiências mais marcantes, os experimentos da Diaconia e o Conceito Base Zero, desenvolvido por Zé Artur Padilha na Fazenda Caroá.

É preciso reunir lideranças políticas e técnicos dos governos, junto com as pessoas envolvidas com o desenvolvimentos dessas soluções, e trabalharem um plano para garantir sua implantação.

A calamidade daqual está sendo vítima metada da população nordestina clama por ações governamentais factíveis, já comprovadas na prática e que serão capazes de trazer esperança para essa parte do Brasil.

(Adaptação livre de um texto enviado pelo companheiro Ze Alberto)

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