sexta-feira, 18 de março de 2016

Filho(a)s não se culpem por terem vivido


Lutamos pelo que a época, não tínhamos: Liberdade, Igualdade, Justiça Social. A história é feita pelos que vivem o momento. O resto são lições da escola, algo que a realidade presente logo nos faz deixar de lado, atraídos pela força dos acontecimentos. E, a bem da verdade, nos últimos anos essa força se multiplicou indefinidamente, azeitada pelo crescimento vertiginoso da comunicação e dos transportes que fez a muitos de nós cidadãos do mundo. E, como cidadãos do mundo, muitos voltaram sua atenção para a aldeia global, esquecendo sua própria aldeia. Aquela, que ali do lado nos mostra as contradições da nossa sociedade.
Não é a toa que o 1% mais rico do mundo tem a mesma riqueza que os 99% restantes. E são esses dois lados que se digladiam hoje em todos os lugares entre eles o Brasil.
Da nossa convivência, dos nossos exemplos, tenho clareza que, mesmo vivendo a vida, vocês cresceram tendo um lado. O lado da sua aldeia, da amizade, da tolerância, do respeito ao outro e, acima de tudo, da valorização da vida, onde o dinheiro é um meio para garantir a dignidade de cada um, e que todos tenham oportunidades de construir suas histórias, realizar seus sonhos.
Ao refletirem sobre esse momento, não se sintam culpados. Apenas vocês estão compreendendo o que é uma sociedade capitalista, onde conflitos iguais aos vividos atualmente no Brasil ou até mais violentos, é parte da estratégia cujos resultados podem significar o fortalecimentos do 1% mais rico ou dos 99% mais pobre.
Para sermos sujeitos dos acontecimentos históricos será preciso, antes de tudo, entender o papel que está sendo jogado pelo lado do 1% e seus sabujos. A pauta da CORRUPÇÃO, na história mais recente do Brasil, serviu de pretexto para atacar apenas três governos: Getúlio Vargas, João Goulart e agora os governos do PT. Curiosamente foram governos onde mais ocorreram conquistas sociais e trabalhistas, onde o salário mínimo foi mais valorizado. Ou seja, governos que mais destinaram os fundos públicos para o bem dos que hoje estão do lado dos 99%, através de um Estado forte, explorando, em favor dessa maioria, as riqueza naturais do país.
Sei muito bem que a ética de vocês muitas vezes os faz utilizá-la como parâmetro para o julgamento dos que atualmente estão no governo. Sei também que uma parcela importante dos gestores públicos não tiveram o zelo ético que vocês justamente cobram. Mas, convenhamos, se ao longo da história, somente os governos que ousaram governar para a maioria foram atacados pela minoria nesse tema, não dá para acreditar que é disso que se está falando. E não é. Em todas as vezes que a sociedade embarcou nessa e apoiou esse tipo de julgamento, compreendeu depois que foi manipulada pela turma do 1%. Mas ai já havia perdido muito espaço. Muito sofrimento e muita luta teve que ser travada para reconquistar parte do espaço perdido.
A ética que se deve ter em mente, nesse momento, é a ética da política, que define quais as prioridades na destinação da riqueza do país, dos fundos públicos, em fim a ética do caminho do dinheiro de todos, se é para o bem de todos ou privilégio de alguns. Se se vai colocar bilhões para salvar bancos que fizeram mal negócio ou para aplacar a pobreza. Se vamos entregar as riquezas do país, como o petróleo, para enriquecer petroleiras multinacionais ou se vamos priorizar sua exploração em função do interesse da maioria dos brasileiros. Se vamos estimular que mais brasileiros tenham acesso a uma vida digna e todos os seus direitos, respeitando a diversidade de gênero, de etnia, de opção sexual, ou se vamos fazer eclodir preconceitos e fobias sociais, numa sociedade de privilegiados.
Bem, a medida que os conflitos se intensificam vai ficando evidente os objetivos da luta de cada lado. Pior, vai também ficando evidente o papel de boa parte da mídia e do judiciário, trabalhando o ódio como elemento de mobilização, tentando dividir nós brasileiros.
Esses são alguns poucos elementos dentre os que a história nos está oferecendo. Para fazermos história precisamos utilizá-los da melhor forma para influenciar em seu curso em favor da maioria. O povo se coloca como sujeito quando a maioria compreende esse jogo e coloca sua energia para influenciar os acontecimentos.
Por isso estou indo pra rua, para ao lado de todos que como eu também estarão na marcha, gritar em alto e bom som: #NãoVaiTerGolpe.

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