Inicia-se um novo
tempo no Partido em Pernambuco, especialmente no Recife, com a
definição, por aclamação, da candidatura de João Paulo a prefeito pelo PT em Recife, em memorável
reunião da Direção Municipal, ocorrida na noite da sexta-feira, 17/06, com a
presença, inclusive, do Presidente Nacional, Rui Falcão. Esse
momento foi a coroação de uma construção que maturou, pelo menos,
durante os últimos 18 meses, numa sucessão de debates, construções,
reflexões, idas e vinda, tensões e tudo quanto foi necessário para
promover uma reacomodação de atores políticos que, num passado
ainda recente haviam protagonizado um quadro de múltiplos erros que inviabilizaram qualquer convivência
coletiva e, sem coletividade, a ação política não sobrevive, só a tragédia bem aos moldes de Esquilo.
Todos tinham a compreensão que caminhavam na direção do precipício
politico, mas não conseguiam se libertar das correntes e para ele
iam sendo arrastados.
Um momento de
inflexão nessa trajetória ocorreu quando, ainda em 2013, após a
realização do PED e tendo o resultado da eleição para presidente
estadual ficado para ser decidido no segundo turno, um rasgo de bom
senso ainda pode ser recobrado, graças a uma intervenção
providencial do então Presidente Pedro Eugênio. Nasceu um primeiro
acordo entre os que, há pouco mais de 1 ano se encontravam em
distintas trincheiras, num embate interno levado às últimas
consequências.
Era o início de uma
longa trajetória de reconstrução, para que fosse possível
recobrar dois pilares básicos de qualquer projeto de esquerda e que
haviam sido perdidos: generosidade e confiança.
Os passos que se
seguiram, ainda tímidos, levaram a reorganização do Partido para
as disputas de 2014, cujos resultados, a exceção da reeleição da
companheira Dilma, refletiam a percepção que havia ficado no
eleitorado de todas as imagens e notícias dos desentendimentos
protagonizados aqui no Estado. Todos perderam. Essa constatação
ficou ainda mais evidente quando, no segundo turno, uma militância
de esquerda foi pra rua e, independente da direção partidária, se
engajou na campanha de Dilma, contribuindo de forma significativa
para sua vitória. A derrota sofrida em 2014 não era do projeto
politico representado pelo PT, mas da prática política
protagonizada pelas lideranças do PT no Estado.
Novos ventos, novos
sonhos
Se os acontecimentos
vividos haviam calado fundo nas antigas lideranças, havia uma força
jovem, mais precisamente na Direção do PT em Recife, que expressava
um grande interesse em ser protagonista de um novo tempo. Uma
renovação geracional que vinha com o sentido de responsabilidade
para com o futuro do Partido, com raízes nos movimentos sociais e
que se colocava na perspectiva de tentar superar os erros e fazer, dos
inúmeros acertos, os alicerces da construção do futuro. E este foi
sem dúvida um grande diferencial, capaz de revigorar o debate
interno provocando deslocamentos de posições até então
cristalizadas.
Novas falas, de
volta à Política
A experiência de
ter sido governo e se ver oposição abriu a oportunidade para esses
jovens, mais precisamente aos novos dirigentes egressos dos
movimentos sociais, viver duas situações diametralmente opostas
em termos de políticas públicas, com reflexos nos seus territórios
de moradia e de atuação politica em desfavor da sua base social.
O ser humano pensa
onde os pés pisam. Eles entenderam que somente através da
recuperação do debate político interno seria possível reorientar
a atuação partidária e fazer o PT voltar de forma
vigorosa às disputas eleitorais, criando assim as condições para,
uma vez vitorioso, retomar as politicas públicas de interesse da
maioria da população.
Esse caminho passava
por João Paulo, sem dúvida, mas era preciso tratar das dificuldades
que estavam nos corações e mentes das antigas lideranças. Veio
então dessa juventude os ingredientes que no PT haviam se tornado
escassos: generosidade e confiança. E assim eles foram somando a
vontade de acertar com as experiências positivas dos mais antigos.
Não desistiram
diante das inúmeras incompreensões, não sucumbiram à tentação
de se adaptar e, ao seu jeito e ao seu modo foram dando sua
contribuição para que, após um ano e meio de atuação generosa,
de estímulo ao debate interno e de muito aprendizado, a Direção
Municipal chegasse a decisão do último dia 17.
Agora começará o
trabalho mais duro a ser enfrentado: a campanha eleitoral. Uma
conjuntura muito difícil, situações bastante adversas a serem
enfrentadas, mas esse sopro vindo dessa juventude, que não foge da
raia a troco de nada, fez acender o brilho nos olhos desse guerreiro
do povo. O PT está de volta a cena política, unido e com uma
vontade danada de reconquistar a Prefeitura para voltar a realizar no
Recife a sua Grande Obra que é cuidar das pessoas.
Desses jovens
dirigentes um pequeno exemplo, para rejuvenescer o espírito dos mais
antigos e para atrair outros jovens a essa tarefa que é histórica e permanente: a reconstrução do Partido como instrumento de luta de
homens e mulheres que nunca abriram mão da utopia de uma sociedade
mais humana, integrada à natureza, solidária e que cultiva como
pilares da sua formação a generosidade, a compaixão, a tolerância
e o respeito, fazendo da política a mais elevada forma de caridade.
Meus agradecimentos
a Priscila Ramos, Felipe Cury e Eduardo Nunes pelo que com eles pude
aprender.
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