terça-feira, 21 de junho de 2016

Os vários significados da candidatura de João Paulo à Prefeitura do Recife


Inicia-se um novo tempo no Partido em Pernambuco, especialmente no Recife, com a definição, por aclamação, da candidatura de João Paulo a prefeito pelo PT em Recife, em memorável reunião da Direção Municipal, ocorrida na noite da sexta-feira, 17/06, com a presença, inclusive, do Presidente Nacional, Rui Falcão. Esse momento foi a coroação de uma construção que maturou, pelo menos, durante os últimos 18 meses, numa sucessão de debates, construções, reflexões, idas e vinda, tensões e tudo quanto foi necessário para promover uma reacomodação de atores políticos que, num passado ainda recente haviam protagonizado um quadro de múltiplos erros que  inviabilizaram qualquer convivência coletiva e, sem coletividade, a ação política não sobrevive, só a tragédia bem aos moldes de Esquilo. Todos tinham a compreensão que caminhavam na direção do precipício politico, mas não conseguiam se libertar das correntes e para ele iam sendo arrastados.

Um momento de inflexão nessa trajetória ocorreu quando, ainda em 2013, após a realização do PED e tendo o resultado da eleição para presidente estadual ficado para ser decidido no segundo turno, um rasgo de bom senso ainda pode ser recobrado, graças a uma intervenção providencial do então Presidente Pedro Eugênio. Nasceu um primeiro acordo entre os que, há pouco mais de 1 ano se encontravam em distintas trincheiras, num embate interno levado às últimas consequências.

Era o início de uma longa trajetória de reconstrução, para que fosse possível recobrar dois pilares básicos de qualquer projeto de esquerda e que haviam sido perdidos: generosidade e confiança.

Os passos que se seguiram, ainda tímidos, levaram a reorganização do Partido para as disputas de 2014, cujos resultados, a exceção da reeleição da companheira Dilma, refletiam a percepção que havia ficado no eleitorado de todas as imagens e notícias dos desentendimentos protagonizados aqui no Estado. Todos perderam. Essa constatação ficou ainda mais evidente quando, no segundo turno, uma militância de esquerda foi pra rua e, independente da direção partidária, se engajou na campanha de Dilma, contribuindo de forma significativa para sua vitória. A derrota sofrida em 2014 não era do projeto politico representado pelo PT, mas da prática política protagonizada pelas lideranças do PT no Estado.

Novos ventos, novos sonhos

Se os acontecimentos vividos haviam calado fundo nas antigas lideranças, havia uma força jovem, mais precisamente na Direção do PT em Recife, que expressava um grande interesse em ser protagonista de um novo tempo. Uma renovação geracional que vinha com o sentido de responsabilidade para com o futuro do Partido, com raízes nos movimentos sociais e que se colocava na perspectiva de tentar superar os erros e fazer, dos inúmeros acertos, os alicerces da construção do futuro. E este foi sem dúvida um grande diferencial, capaz de revigorar o debate interno provocando deslocamentos de posições até então cristalizadas.

Novas falas, de volta à Política

A experiência de ter sido governo e se ver oposição abriu a oportunidade para esses jovens, mais precisamente aos novos dirigentes egressos dos movimentos sociais, viver duas situações diametralmente opostas em termos de políticas públicas, com reflexos nos seus territórios de moradia e de atuação politica em desfavor da sua base social.
O ser humano pensa onde os pés pisam. Eles entenderam que somente através da recuperação do debate político interno seria possível reorientar a atuação partidária e fazer o PT voltar de forma vigorosa às disputas eleitorais, criando assim as condições para, uma vez vitorioso, retomar as politicas públicas de interesse da maioria da população.

Esse caminho passava por João Paulo, sem dúvida, mas era preciso tratar das dificuldades que estavam nos corações e mentes das antigas lideranças. Veio então dessa juventude os ingredientes que no PT haviam se tornado escassos: generosidade e confiança. E assim eles foram somando a vontade de acertar com as experiências positivas dos mais antigos.
Não desistiram diante das inúmeras incompreensões, não sucumbiram à tentação de se adaptar e, ao seu jeito e ao seu modo foram dando sua contribuição para que, após um ano e meio de atuação generosa, de estímulo ao debate interno e de muito aprendizado, a Direção Municipal chegasse a decisão do último dia 17.

Agora começará o trabalho mais duro a ser enfrentado: a campanha eleitoral. Uma conjuntura muito difícil, situações bastante adversas a serem enfrentadas, mas esse sopro vindo dessa juventude, que não foge da raia a troco de nada, fez acender o brilho nos olhos desse guerreiro do povo. O PT está de volta a cena política, unido e com uma vontade danada de reconquistar a Prefeitura para voltar a realizar no Recife a sua Grande Obra que é cuidar das pessoas.

Desses jovens dirigentes um pequeno exemplo, para rejuvenescer o espírito dos mais antigos e para atrair outros jovens a essa tarefa que é histórica e permanente: a reconstrução do Partido como instrumento de luta de homens e mulheres que nunca abriram mão da utopia de uma sociedade mais humana, integrada à natureza, solidária e que cultiva como pilares da sua formação a generosidade, a compaixão, a tolerância e o respeito, fazendo da política a mais elevada forma de caridade.

Meus agradecimentos a Priscila Ramos, Felipe Cury e Eduardo Nunes pelo que com eles pude aprender.

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