quarta-feira, 10 de abril de 2013

Os interesses do Brasil e o comportamento das nossas elites.

Imagine que você divide uma mesma casa com um grupo de amigos, parentes, ou algo parecido. Imagine que uma das pessoas da casa, que todos sabem tem um salário muito melhor que os demais, é o rico da turma e pela sua condição financeira,  acaba emprestando algum para os outros, mas não deixa de cobrar juros. Na casa desfruta do melhor cômodo, as melhores comidas, enfim, goza de muito privilégio. Todos acreditam que sua presença é imprescindível para manter a casa. Como tem mais dinheiro, assume o controle das finanças da casa e empurra as demais tarefas para os que têm menos dinheiro. A partir da identidade de morarem todos no mesmo lugar e, até se verem cotidianamente, todos acabam sempre desenvolvendo algum tipo de relacionamento. Isso não impede que aconteçam os atritos: o endinheirado sempre assume uma posição de mando e cobra de forma às vezes até muito dura, a contribuição dos demais. Por outro lado, a maioria fica sempre achando que o retorno está aquém do que cada um almeja ou mesmo teria direito. As tensões e atritos as vezes se acomodam quando a maioria acaba concordando com o argumento, sempre sacado pelo privilegiado, de que cada um é recompensado pelo que foi capaz de conquistar, insinuando que a situação diferenciada é uma limitação de cada um. A vida segue, com sacrifícios muito mal distribuídos e, por obra de alguém mais investigador, você descobre que o riquinho tem uma conta num outro país, fora dos olhares dos demais. Pior que isso, você descobre que ele pouco ou quase nada contribui para a casa, se valendo da sua posição financeiramente mais forte para pressionar os demais com os quais divide a moradia.
Se foi possível imaginar tudo isso, é assim que se pode entender essa triste notícia: Figuras da nossa elite, que até se dizem brasileiros, têm em paraísos fiscais, -  assim chamados porque não se preocupam com a procedência do dinheiro e podem faze-lo crescer sem pagar impostos e sem contribuir com o desenvolvimento do país de onde esses recursos são extraídos - nada menos do que US$ 520 bilhões ou algo como a terça parte de toda a economia brasileira. Essas mesmas figura aparecem nos jornais, rádios e tv´s reclamando da carga tributária, da inflação, da necessidade de aumentar os juros. E muita gente acredita que estão falando em defesa do povo brasileiro. Mas, na verdade, estão interessadíssimo em melhorar mais ainda as condições de continuar engordando suas contas nos paraísos fiscais. E se o Brasil quebrar. Bom, com o dinheiro que guardaram passaram bem em qualquer lugar do mundo.
O Brasil em 2011 ocupava a 84ª posição no desenvolvimento humano, mas nossos ricos ocupam a 4ª posição entre os que mais guardam recursos nos paraísos fiscais.

Um comentário:

  1. Veja a notícia completa em: http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2012-07-22/brasileiros-tem-quarta-maior-fortuna-do-mundo-em-paraisos-fiscais#.UWWbg2MZbPE.facebook

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