terça-feira, 26 de maio de 2015

O PT e o Ocupe Estelita (II) - Procurando endenter as críticas ao Partido

Por Hercílio Maciel 

O PT forjou sua história numa ideia força que bebia da utopia e do pensamento dos socialistas e tinha seus pés assentados na luta contra a desigualdade na sociedade brasileira, cujas marcar remontam a sua origem escravocrata.

Depois de 23 anos de existência e de conquistas parciais, conseguiu chegar ao governo federal e transformar parte da ideia força que estava na sua origem, em políticas públicas, promovendo a redução da desigualdade de forma a marcar a história do país.

No exercício do poder o Partido conseguiu implantar políticas públicas de redução da desigualdade e ampliação de oportunidades, mas acabou se adaptando as estruturas o Estado, ao invés de tentar mudá-las. Operou-se, então, o distanciamento dos movimentos que estavam na origem da sua formação. Perdeu a utopia, o encantamento e foi tragado pelo pragmatismo decorrente do exercício do poder. Há, felizmente, uma base petista na qual persiste boa parte dos sonhos e das esperanças que embalou sua construção.

Em diálogo recente, via rede social, com representantes Movimento Ocupe Estelita, pude perceber muita relação de identidade entre a luta que travam e as lutas que forjaram a construção do PT. Mas têm uma visão muito crítica ao PT atualmente, tanto em relação às adaptações pelas quais o Partido passou e busca refletir sobre elas no V Congresso, mas especificamente em função da grande lacuna evidenciada em relação ao debate sobre a cidade.

Se, governando o Recife, o PT foi capaz de melhorar a vida dos setores historicamente excluídos da população, implementando políticas públicas nas áreas de habitação, urbanização, saúde, educação, direitos humanos, entre outros, na questão do PENSAR A CIDADE, especialmente sua região central, território de todos, o Partido não mostrou a mesma ênfase que nas demais políticas, muitas vezes limitando-se a reproduzir um modelo que já vinha em curso e que atendia a setores das elites locais. Efetivamente os governos petistas priorizaram os enfrentamentos dados para incluir e dar visibilidade no orçamento do município àqueles que ficavam na cidade invisível, comprometendo parte dos recursos outrora destinados à cidade visível, o território de poucos.

Com o desenvolvimento da economia em nível nacional, além das políticas de inclusão, milhares de pessoas, outrora excluídas, passaram a transitar pela cidade. Intensificou-se não só o uso dos espaços públicos, a expansão dos sistemas viários, mas e principalmente, uma maior mercantilização do solo e consequente adensamento, retirando da urbes os espaços de pertencimento, sonhos e esperanças. Paradoxalmente, enquanto a vida no espaços privativo melhora, a qualidade de vida no espaço urbano fica cada vez mais comprometida e cujos vetores dessa degradação retira a esperança de um futuro melhor, tanto do ponto de vista urbano, quanto ambiental.

A síntese desse conflito pode ser resumida ao que está ocorrendo no debate sobre o Projeto Novo Recife, no terreno do Caís José Estelita. Com o objetivo claro de ampliar a extração de mais valia privada, o projeto reproduz um modelo responsável por comprometer o espaço urbano, o oposto da proposta de ampliar os espaços para apropriação pública e preservação da história e do meio ambiente.

E essa pauta tem se mostrado mais prioritária entre os jovens, preocupados com o futuro da cidade onde pretendem construir suas vidas e realizar seus sonhos.

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