Autores como Ben Bagdikian consideram que a mudança na imprensa dos Estados Unidos começou na virada do século XIX para o XX, quando os jornais passaram a ser adquiridos por empresários, transformando-se em um negócio, incorporando a publicidade e o compromisso com o anunciante e o lucro.
Em relação à propaganda política, seu surgimento remonta a 1916, nos Estados Unidos, quando um governo eleito em nome da paz, promoveu uma campanha de manipulação da opinião pública para que, em pouco tempo, ela apoiasse a entrada do país na primeira guerra mundial.
Em 1939 E. H. Carr identifica a sinergia entre 3 dimensões do poder que formaria o poder de um Estado: a militar, a econômica, e o poder sobre a opinião pública. Anos depois, 1964, conforme relatório da Casa dos Representante dos Estados Unidos, as comunicações passariam a ser consideradas um dos pilares de apoio à diplomacia, juntamente com o poder econômico e o militar. Segundo o documento, o avanço das tecnologias possibilitariam exercer influência direta na população, para mudar suas atitudes e fazê-la pressionar seus governos. A TV Globo foi criada no Brasil, como um desdobramento desta política, a partir do capital de um grupo de comunicações dos Estados Unidos, de viés conservador.
Em 1982, a partir de uma ação do Departamento de Justiça do governo dos Estados Unidos, com base na lei antitruste, ocorre o desmembramento da empresa de telecomunicações nacional daquele país, a AT&T, que atuava apenas no país, dando origem a 7 novas empresas, que passariam a disputar o mercado mundial de telecomunicações, além do doméstico. Em 1988 os investimentos na área de tecnologia da informação dobraram em relação a 10 anos antes, atingindo o percentual de 40% do total de investimentos em plantas e equipamentos.
Vem deste país um modelo de produção cultural conduzido por corporações ligadas à indústria cultural, frustrando quem apostava no crescimento da consciência individual através da imagem e da informação. Publicações, imprensa, cinema, rádio, televisão, fotografia, gravação, publicidade, esportes e a “indústria da informação”, segundo Herbert Schiller, se enquadravam nessa categoria.
Essa brevíssima síntese do processo histórico do desenvolvimento das comunicações nos Estados Unidos, demonstram que as causas que movem as comunicações, ou seja sua natureza, há mais de um século foram apropriadas pelos que defendem um modelo de sociedade capitalista, elitista, para poucos, uma oligarquia. Eles exercem notáveis pressões nos demais países, para expandir em seus territórios os tentáculos desse poder, na disputa pela hegemonia global. O objetivo é contribui para desvendar o mito da neutralidade, como descrito por Schiller e para superar o modelo de democracia de expectadores, como definiu Noam Chomsky.
A evolução e o barateamento da tecnologia da Informação, os novos desenvolvimentos como a Internet, ampliaram o acesso da população a uma nova esfera comunicacional sobre a qual se desenvolveram as redes sociais. Uma estratégia exitosa, que possibilitou a concentração de riqueza e poder nas mãos de capitalistas norte-americanos, a partir de um modelo de negócio baseado na venda das informações dos usuários, produzidas a partir do inimaginável volume de dados por eles generosamente ofertadas às plataformas com suas postagens e hábitos de consumo e que perpassam fronteiras. Este novo modelo representou uma ruptura com tudo o que lhe antecedeu. O que antes era uma comunicação cuja produção e difusão de conteúdos era fortemente concentrada e organizada territorialmente, próprio da mídia corporativa, deu lugar a uma comunicação individualizada e transnacional, onde todos têm a liberdade na produção de conteúdos e todos consomem esses conteúdos, distribuídos segundo as regras definidas pelos algorítimos, o quais seguem os interesses dos donos das plataformas. Nesse novo modelo, além de acesso a informação (fake ou fato) as pessoas também realizam negócios através da monetização de seus conteúdos e de atividades de televendas.
O uso de todo esse complexo nos processos político eleitorais promoveu uma ruptura com as estruturas anteriores. Para o pensamento progressista, enfrentar esta realidade exige uma estratégia bem mais sofisticada, muito além do aperfeiçoamento do uso desta estrutura de poder existente.
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