Hercílio Maciel
19/02/2025
O que interessa ao poder
opressor é enfraquecer as oprimidos..
Uma das características destas
formas de ação, quase nunca percebida por profissionais sérios,
mas ingênuos, que se deixam
envolver, é a ênfase da visão focalista dos problemas e não na
visão deles como dimensões de uma totalidade. ( PAULO FREIRE – PEDAGOGIA DO
OPRIMIDO)
No primeiro texto desta série foi apresentada uma análise de conjuntura das comunicações, oferecendo uma crítica ao pensamento progressistas, sua cegueira situacional. Os textos seguintes tiveram o propósito de agregar às críticas fatos e análises para ajudar a decifrar os símbolos das estratégias do capital nesta campo de atuação, as comunicações, alçado à condição de um dos pilares do poder do Estado capitalista.
Neste último texto da série, é preciso fixar marcos julgados relevantes que fundamentaram a crítica:
I – A acumulação capitalista como função do poder e do mercado mundial e não das trocas;
II – As comunicações, levada à condição de um dos pilares do poder do Estado Capitalista, como meio de controle da opinião pública;
III – O controle privado das comunicações servindo a um poder que está além do Estado capitalista e que tem influência nas políticas públicas, a partir da manipulação da sociedade;
IV – As redes sociais e sua forma disruptiva de comunicação: um tsunami de informações que provoca a desorientação e corrói a narrativa. Sem narração, não há política.
V – As virtudes da extrema direita que soube articular, de forma exitosa, a estrutura de comunicação existente e os mitos construídos, acrescentando uma camada de informações relacionada à ciência do comportamento para conquistar o poder do Estado.
E agregar algumas questões que podem servir de roteiro para uma reflexão:
a) – O pensamento progressista tem como valores a superação das desigualdades sociais e a melhoria da qualidade de vida para todos, com distribuição de renda, acesso a educação de qualidade, melhores condições de saúde, cultura e vida digna.
Nos marcos da atual realidade, é possível alcançar tais objetivos que não seja através da conquista do Estado?
b) – O Estado, em sua essência, é uma grande tenda que abriga as instituições estatais. Para os progressistas, conquistar o Estado é levar às suas instituições os valores do pensamento progressistas, construídos ao longo da história pelos pensadores humanistas.
É possível alcançar este objetivo sem o suporte das comunicações?
c) – Conforme as análise desta série, as comunicações foram desenvolvidas para atender aos interesses de poder do Estado capitalista e a acumulação é função do poder.
Não estamos diante de uma antítese: querer promover a distribuição de renda e melhoria da qualidade de vida da população utilizando para conquistar e governar o Estado, os mesmos meios desenvolvidos para acumular riqueza e poder?
d) – Vários analistas tem estudado esta fase atual das comunicações disruptivas. Alguns antecipam um futuro ainda mais draconiano, com as chamadas bigtech’s assumindo um controle político mundial que eles antecipam como Tecnofeudalismo e o fim do Estado como conhecemos. Para outros, a situação é extremamente complexa mas esboçam uma esperança de que as instituições do Estado sejam capazes de impor os limites da lei a esses bilionários. O Estado são as instituições. No modelo de democracia liberal, as leis são produzidas pelos poderes eleitos pelo povo.
Como podem as instituições produzir legislação que imponha limites às bigtech’s as quais têm demonstrado um grande poder de mobilizar a opinião pública para fazer chegar as instituições pessoas sintonizadas com seus interesses?
Ao final desta série espera-se que as análises apresentadas possam ter contribuído para oferecer aos progressistas uma visão de totalidade do problema das comunicações. As questões apresentadas visam oferecer um roteiro para reflexão.
Na próxima série, vamos focar na análise dos resultados eleitorais, procurando apresentar alguns palpites da influência das comunicações.
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