sexta-feira, 14 de março de 2025

Análise gráfica da correlação entre a variação do primeiro para o segundo turno, dos votos ninguém, PT e PL.

Hercílio Maciel

(81)986898910

Falar em gráfico às vezes assusta. Para os que não têm muita familiaridade com esta matéria não há motivos para preocupação. O objetivo desta análise não é fazer o leitor compreender como eles são construídos, mas propiciar, a partir da sua visualização, uma melhor compreensão dos impactos da estratégia do voto ninguém nos resultados eleitorais, cuja hipótese trabalhada é de que as comunicações, com um destaque especial para as redes sociais, tiveram um papel relevante na corrosão dos votos da candidatura Lula no segundo turno das eleições presidenciais de 2022.

Para proceder a análise foram produzidos gráficos que correlacionam as variáveis estudadas: variação do primeiro para o segundo turno, nas eleições presidenciais brasileiras de 2022, do total de votos Ninguém, Lula (PT) e Bolsonaro (PL). Cada gráfico - ver abaixo - correlaciona a variação do voto Ninguém com a variação do voto Bolsonaro ou a variação do voto ninguém com a variação do voto Lula, para cada região geográfica. Quem está olhando para o gráfico, há dois eixos, um horizontal e outro vertical, linhas mais escuras. No eixo horizontal foram marcados os valores da variação do voto ninguém, em pontos percentuais. A esquerda do leitor, tendo por referência o eixo vertical, são marcados os valores negativos e à direita os positivos. Neste caso, quando o ponto se situa à esquerda significa que o voto ninguém diminuiu, ou seja mais eleitores votaram no segundo turno em um dos candidatos. À direita significa que o voto ninguém aumentou, menos eleitores votaram nos candidatos. No eixo vertical foram marcados os valores da variação dos votos dados ou a Lula ou a Bolsonaro, conforme o gráfico. Acima do eixo horizonta são marcados os valores positivos da variação dos votos nominais, o candidato teve no segundo turno mais votos que no primeiro e abaixo deste eixo os valores negativos, o candidato teve no segundo turno menos votos que no primeiro. O encontro de cada uma dessas coordenadas gerou um ponto. A chuva de 6.102 pontos, cada um correspondendo a um recorte territorial analisado, formam uma imagem que torna perceptível o que ocorreu no processo eleitoral para cada uma das candidaturas. Ao todo foram produzidos 10 gráficos, dois para cada região

Para efeito de maior clareza, os gráficos foram produzidos com cores distintas para cada uma das candidaturas: azul para os valores da variação dos votos dados a Bolsonaro e vermelho para os valores da variação dos votos dados a Lula


Seguem as análises gráficas













A análise gráfica permite observar comportamentos distintos em todas as Regiões geográficas

A candidatura de Bolsonaro, ampliou sua votação em praticamente todos os recortes territoriais – pontos situados acima do eixo horizontal - mesmo nos territórios onde ocorreu aumento do voto ninguém - pontos situados à direita do gráfico. Foi residual a quantidade de recortes territoriais onde esta candidatura perdeu votos do primeiro para o segundo turno. Nas regiões sul, sudeste e centro-oeste, onde foi mais votado que Lula no primeiro turno, a candidatura conseguiu ampliar sua votação em vários pontos percentuais no segundo turno em todos os recortes territoriais. O mesmo aconteceu no Norte onde teve uma votação um pouco inferior a de Lula no primeiro turno e até no Nordeste onde teve, no primeiro turno, uma votação menor que a metade dos votos dados à Lula.

A candidatura de Lula, perdeu votos em relação ao primeiro turno, em 15% dos  recortes territoriais, pontos situados abaixo do eixo horizontal – ver elipse amarela - de todas as regiões. Na maioria dos recortes territoriais onde ocorreram as perdas de votos desta candidatura, observa-se aumento do voto ninguém, pontos situados à direita do eixo vertical e abaixo do eixo horizontal. Os maiores impactos por total de recortes territoriais onde ocorreram as perdas, foram observados nas regiões Nordeste, com 32% dos recortes territoriais, Norte, com 31% e Sul, com 20%. Na região norte, conforme visto na figura correspondente, Lula perdeu votos na maioria dos recortes territoriais. Esta informação explica como o crescimento de 10% do voto ninguém do primeiro para o segundo turno na região influenciou no resultado eleitoral, com Bolsonaro tendo invertido a posição do primeiro turno, quando foi derrotado por Lula nesta região, tendo se sagrado vitorioso no segundo turno. Na região nordeste, a grande base eleitoral de Lula,  a grande quantidade de recortes territoriais onde a candidatura Lula perdeu votos no segundo turno em relação ao primeiro, explica porque, mesmo com um pequeno crescimento do voto ninguém, o resultado final beneficiou Bolsonaro. Houve mobilização do eleitor de Bolsonaro e desmobilização do eleitor de Lula.


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